Reminiscências
Jackson Zeferino Vieira de Melo
Janeiro 2009

 


     Sou filho natural da cidade de Nazaré da Mata. Vim morar em Jaboatão no dia 06 de janeiro do ano de 1948, devido a transferência do meu pai, José Manoel Vieira de Melo, escrivão de Coletoria Estadual, à época trabalhando na Coletoria Estadual da Cidade de Carpina, por motivo de sua promoção por merecimento. Também nesta mesma época a minha irmã, a Professora Dalva, foi também promovida para a Escola Bernardo Vieira de Melo, sob a direção da saudosa Professora Odete Antunes.
Jaboatão não me era estranho, pois aqui já vivia o meu tio Antonio Manoel Vieira de Melo, secretário da Prefeitura Municipal e que foi Prefeito interino, em virtude da renúncia do Dr. Epitácio Belém.

     Antes da mudança da família, prestei exame de admissão ao curso ginasial do Ginásio Pernambucano. Garoto do interior, estudante na Capital. Uma nova experiência.
Fixamos residência na Rua Floriano Peixoto, numa casa alugada de propriedade do comerciante português o Sr.José Rodrigues Neves, genitor do Dr.Oswaldo Rodrigues Neves. A princípio sem conhecer ninguém, a não ser os meus tios e primos, não foi difícil a nossa adaptação. O que mais nos chamou a atenção foi o de constatar que Jaboatão naquele tempo já era servido com energia elétrica, sem interrupção de horário, com fornecimento pela Pernambuco Tramways, o que não ocorria com Carpina e Nazaré da Mata. Nestas o motor que gerava energia, era administrado pela Prefeitura, com fornecimento limitado: início às 18h00m e desligamento a meia noite, com breves sinais do apaga e do acende. Outro fato, para mim surpreendente foi o transporte ferroviário, com trens da Great Western circulando em intervalos de algumas horas, enquanto Carpina e Nazaré da Mata, dispunham de apenas um trem no horário da manhã, em direção ao Recife e outro de retorno no fim da tarde. O trem das 5h40m era o horário do meu deslocamento para o Recife, com regresso no das 12h15m. Se por algum motivo perdesse o trem deste horário, somente teríamos que aguardar o trem do horário das 14h55m. Nos dias das aulas de Educação Física, teríamos que alcançar o trem das 4h30m, o primeiro do horário. Neste trem em sua maioria viajavam muito operários. Apesar dessa inconveniência, todavia, para mim estes dois fatos (energia diária e transporte fácil), representavam um considerável progresso.

     No tempo da juventude fiz amizade com Aldemaro Marcelino de Araújo, mais conhecido como Doca, seu primo Severino Nazário Filho, Severino Bernardino da Silva e seu irmão Edward Bernardino da Silva, Aldo Silveira Borba, Raul Gadelha, José Adolfo Cunha, Carlos Alberto da Paz Portela, também conhecido como Carlinhos Portela, José Luiz de Almeida Melo, José Alberto Tavares da Cunha Melo, Ivaldo Montarroios, Luciano Figueirôa. Gilvan Caldas de Sá Barreto, Edson Sales. A deficiência do serviço de iluminação pública motivou os jovens a promoverem um protesto, colocando num dia de domingo, justamente no momento da saída do público que assistia a uma projeção no Cine Samuel Campelo, candeeiros à querosene, pendurados nos postes da Rua Barão de Lucena, conhecido como o famoso Quem-me-quer. Na calçada do passeio desta rua, os jovens se postavam, jogando galanteios às moças que por ali circulavam.


     A criação de um ambiente, que proporcionasse cultura e lazer foi bem aceita pelo grupo dos jovens estudantes, surgindo assim a formação do Grêmio Lítero-Recreativo, que veio acontecer precisamente no dia 17 de outubro de 1958. O Grêmio promoveu várias atividades, como concursos de poesias e de fotografias, palestras com vários intelectuais, algumas modalidades esportivas, como também organizou uma biblioteca.
O Jornal Dia Virá, uma idéia de José Luiz de Almeida Melo e que tinha por lema “Um grito da juventude acordando a justiça”, ficou famoso e foi motivo de muita polêmica. Minha participação na redação contou ainda com Paulo José da Silva, Severino Bernardino, Edward Bernardino, Ivo Oliveira e Raul Gadelha e Lúcia Sá Barreto.
   
     A implantação do curso científico (2º grau), do Colégio Rodolfo Aureliano, ao tempo em que era o seu Diretor o Professor Eliaquim Artur de Lima, foi uma das nossas reivindicações junto ao Professor Germano Coelho, Secretário Estadual de Educação, que mereceu a devida acolhida.
   
      Logo após a minha formatura em Direito fui nomeado Adjunto de Promotor Público da Comarca de Jaboatão, ao tempo em que era Juiz da mesma Comarca o Dr. Jeová da Rocha Wanderley e como Promotor o Dr. José Fernando Marinho Falcão. Do primeiro recebi boas orientações e conselhos
   
     Sensibilizado com a idéia do Luiz Regueira Carneiro da Cunha, que pretendia ver em funcionamento um Aprendizado para meninos e meninas presidi por alguns anos a Sociedade de Assistência do Menor Abandonado, por ele criada. Com a ajuda financeira da USAID foi construído o Centro Comunitário, na Rua Prof. Rotilho, próximo da Rua Azul, no qual o Mestre Vicente Tiago de Lira, nas tardes dos sábados, orientava os jovens no Grupo de Escoteiros Guia Lopes. Neste mesmo tempo, foi iniciada a construção do prédio do Aprendizado, nas terras da Usina Jaboatão, nas imediações do Eixo de Integração Jaboatão - Prazeres, que funcionou por algum tempo.
   
     Colaborei da Campanha Nacional de Educandários Gratuitos ministrando aulas de Elementos de Economia, Direito Usual e Legislação Aplicada aos alunos do Curso de Contabilidade do Colégio Padre Chromácio Leão. Neste colégio tive como alunos René Montenegro, Gilvan Barreto, Vanuzia Barbosa, Silvanete Figueirôa, Vera Palma, Leonardo Oliveira, Paulo Caldas e tantos outros. As comunicações telefônicas, na época, eram muito precárias. Existia apenas um Posto Telefônico, instalado na Rua Henriqueta de Oliveira, residência de Dona Pureza, de quem dependíamos de sua boa vontade. Diante desse fato, foi criada a Cooperativa Telefônica de Jaboatão, feliz iniciativa de Van-Hoevem Veloso, da qual fui seu Presidente.
   
     A instalação do distrito industrial de Prazeres, motivou a criação do Rotary Club de Jaboatão, no ano de 1970, que reuniu, inicialmente, no Hotel Boa-Viagem do Recife, os industriais, oriundos em sua grande maioria dos estados do Sul do País.. Neste clube assumi por três vezes a sua Presidência. A instalação do Fórum Des. Henrique Capitulino, no casarão de D.Cila, na Rua de Sto. Amaro e a doação do mobiliário foi uma iniciativa deste Clube de serviço, que sensibilizado com as precárias instalações da Justiça, pleiteou e conseguiu do Prefeito Geraldo Melo a desapropriação do mencionado imóvel da Família Brandão.
   
    Orgulhoso da história desta heróica terra de “Brava Gente”, consciente de que a preservação da nossa rica história é de grande importância para as gerações futuras, idealizei juntamente com Van-Hoeven Veloso, Eliezer Figueirôa, Orlando Breno, Valdemiro Vieira, Hildebrando Pimentel, José Alves de Souza e Noé de Paula Ramos, no dia 12 de maio de 1973, a fundação do Instituto Histórico de Jaboatão que é hoje referência dentre as demais instituições congêneres.
   
    Sou detentor do título de Cidadão Jaboatanense, uma honraria concedida pela Câmara Municipal, através da Lei nº 88/1974, de 13.09.1974, que muito me orgulha, da Medalha do Mérito Judiciário Conselheiro João Alfredo Correa de Oliveira, do Tribunal Regional do Trabalho da 6º Região e da Medalha de Mérito Frei Jaboatão, comenda conferida pelo Instituto Histórico de Jaboatão.

      Ao volver os olhos para o passado já quase tão distante, trago ainda na lembrança o aroma do Café Ouro Verde, do Moinho do Sr. Barreto e do Café Leão do Norte, do Sr. Joaquim Matoso, das festas de Santo Amaro, os seriados do Cine Samuel Campelo, os banhos no Rio da Vovó, as azeitonas maduras do plantio da Great Western na Cascata, as peladas nos campos do Portela e do Locomoção, as retretas da Bandas de Músicas no Coreto da Praça da Prefeitura, as festas do Natal, do Ano Novo e de Santo Amaro. O pastoril infantil, organizado pelo Padre Hipólito Pedrosa com crianças da nossa sociedade, que fez grande sucesso até no Rio de Janeiro. As receitas indecifráveis do Dr. Agapito de Freitas, que nem os farmacêuticos conseguiam aviar os remédios, forçando o paciente a voltar para que médico a traduzisse. A presteza do atendimento do enfermeiro Sr. Eugênio, quando alguém de Jaboatão o procurava no Pronto Socorro do Recife, como também da sua simpática esposa Dona Alice, famosa parteira que ajudava as senhoras parturientes de nossa Cidade a trazerem ao mundo os seus rebentos. As batalhas de busca-pé, nas festas juninas, travadas na Rua Barão de Lucena, em frente ao estabelecimento comercial do Senhor Baixa. Os ri-fi domingueiros, os famosos bailes das Rosas e os Carnavais nos salões do Clube Jaboatanense. O Bloco Carnavalesco Az de Ouro, que hoje não mais existe. As gafieiras no Campo do Portela. Os apitos das Oficinas da Great Western chamando os operários para o trabalho e o seu vistoso relógio que marcou a vida de tantos jaboatanenes. As viagens nos trens das 12h15m horas, quando se reuniam os rapazes e as moças, num ambiente de muita alegria e descontração, após os términos de suas aulas nos colégios do Recife. Os encontros dos jovens e dos adultos em volta do Chapéu do Barreto. Os azes do nosso futebol, Lula Varejão, Batuel e Baixa que marcaram época no Sport Club do Recife, sendo que este último brilhou até em Portugal. Não se pode esquecer também de Manola, Beraldo e de Tatá, o filho de Sr. Eugênio e de Dona Alice e de Reginaldo Montenegro. O vozeirão de Antonio Lemos, o Meninão, com a sua potente voz, chamando os números dos bingos. O popular “Amor das Cabras” que ficava furioso quando alguém o chamava por este apelido. Os perfis de Benedito Cunha Melo e as caricaturas de Bercínio Silva, publicados no Jaboatão Jornal.
    
       Tudo isto são lembranças que vão ficando para trás e que não voltam mais.
O sentimento de maior frustração é o de sentir que muitos jaboatanenses não se orgulham de seu torrão natal, tão rico de heróicas tradições.

 

 

Discurso de Posse
Dr. José Luiz de Almeida Melo
Maio 2008

 


Senhora Presidente do Instituto Histórico do Jaboatão
Diretoria do Instituto Histórico do Jaboatão
Autoridades Presentes
Membros e Colaboradores do Instituto Histórico do Jaboatão
Senhores e Senhoras presentes


    Coube-me, por generosa designação da Diretoria do Instituto Histórico do Jaboatão, representar os sócios que hoje se integram na vida desta Sociedade.

    Faz muito bem o estatuto do Instituto quando estabelece a exigência de apresentação de currículo e padrinho/madrinha aos que se propõem ingressar na Sociedade, de modo permitir a Instituição avaliar a colaboração que o candidato a sócio poderá trazer para a vida do Instituto.

    Tenho certeza que não é interesse da Sociedade simplesmente engrossar as fileiras dos associados, mas incorporar sócios que tragam a vocação do amor a Jaboatão, por sua história, os costumes e tradições, e estejam interessados em participar de um círculo que lhes permitam expressar e declarar este amor.

    Também, é muito bom que o Instituto celebre a entrada destes novos sócios numa sessão solene da Instituição. É preciso dar dignidade as coisas dignas, para que os novos sócios se sintam elevados a uma categoria especial por fazerem parte da Sociedade. É necessária esta celebração, este ritual, de tal modo que os novos sócios confirmem neste momento o propósito que têm de prestigiarem o Instituto, elevarem seu nome, sentirem-se orgulhosos em incorporarem-se a um grupo de pessoas que fazem do amor a terra sua profissão.

    Em artigo publicado na página Opinião, do Jornal do Comércio, última publicação antes de sua morte, Alberto da Cunha Mélo, falando de Jaboatão, de seu vale espremido entre os morros, que cerceiam os seus rios, chama Jaboatão de "nossa Mesopotâmia", terra bíblica também abraçada por nos.

    Estimada Presidente do Instituto Histórico, Profa. Adiuza Belo, membros da atual diretoria, tantos outros membros do Instituto Histórico que aqui estiveram no passado e souberam construir esta obra de pensamento, agora concretizada nesta magnífica sede, sentimo-nos, todos nós, admitidos nesta data no Instituto Histórico de Jaboatão, profundamente honrados com esta distinção.

     Cada um de nós tem na sua trajetória pessoal, fragmento da história do nosso tempo, conjugando-se com passado e futuro em permanente ebulição no espírito criador dos que vivem a história.

    Certamente pensam assim os que se juntam hoje nesta nobre missão, não olhando o passado como fatos distantes, impermeáveis, mas acontecimentos contíguos com os de hoje, que se dão as mãos, numa corrente da qual somns mais um elo que se entrelaçará com outros e outros.

    Em nome dos novos sócios do Instituto Histórico, fraternos amigos de longas datas: Aldo Borba, Maria do Carmo Monteiro, Eugênio Lincoln, Fernanda Barros, Ednaldo Rezende, Femando Araújo, Marlene Santos, Rene Montenegro, Ricardo Valois, registro nossos agradecimentos com a grande distinção que recebemos nesta noite, em sermos efetivados membros do Instituto Histórico do Jaboatão.

Muito Obrigado
José Luiz de Almeida Melo
 

  Santo Amaro – Padroeiro do Jaboatão.
Adiuza Belo
Junho de 2007
 


São Maurus foi discípulo de São Benedito. Seu pai era um nobre romano de nome Equitus; colocou o menino Maurus aos doze anos aos cuidados de Benedito de Nursia (conhecido no Brasil como São Bento), em 522 dC. , quando este esteva ainda em Súbiaco. O jovem cresceu obediente à regra de São Benedito, um modelo de monge.

Quando Benedito foi para Monte Cassino por volta de 525, ele deixou Maurus encarregado do Mosteiro em Súbiaco. A lenda diz que São Maurus é o fundador e abade do Mosteiro de Glanfeuil na França. São Maurus é representado na arte litúrgica da igreja, como  o jovem beneditino andando sobre as águas para salvar Plácido que também era monge.

São Maurus faleceu em 580 dC. de causas naturais.

No Brasil recebeu o nome de Santo Amaro e é invocado nos casos de pestes. Sua festa é celebrada no dia 15 de janeiro.

O padroeiro Santo Amaro já saiu do seu altar por duas vezes, para socorrer a primeira vez os filhos da terra que lutavam no Arraial dos Afogados, no Recife, para defender o solo pátrio; na segunda vez foi para  ir a Igreja de Nossa Senhora da Paz, no mesmo bairro quando o povo do lugar estava contaminado pela peste espanhola.

Como não podia deixar de ser, Santo Amaro já teve seu nome ligado ao nome de Jaboatão e era comum ouvir os antigos dizerem que iam ou residiam em  “Santo Amaro do Jaboatão”.

O poeta Benedito Cunha Melo escreveu a letra do Hino de Santo Amaro que foi musicado pelo Padre Chromácio Leão.

Vejamos a letra:

Lá de um cimo velando a cidade,
Tua velha matriz sempre em pé,
Conta mais de cem anos de idade,
Vive mais de cem anos de fé.

Santo Amaro, que és meu Padroeiro
-- fale aos céus de Jaboatão -- a clamar --
Faze d’alma da gente um braseiro
Mas, de amor, para Deus mais amar! (Bis)

Ao mar bravo estuante, fremente,
Uma vida correste a salvar
Foste o Santo que, a Deus obediente,
Pés enxutos, andou sobre o mar.


Ei-lo ao mastro, subindo de novo
entre palmas e vivas -- ardor!
É a tua bandeira, é teu povo
Que te vem tributar mais amor.

Abençoa esta terra, que é tua
Desde os altos às várzeas, além...
Quer no morro, no campo ou na rua
Uma só fé em todos. Amém!


Santo Amaro ocupa o altar principal na Matriz a ele consagrada na cidade de Jaboatão, que é do ano de 1691.
 

  Maria José Neves de Oliveira (Nina)
Adiuza Belo
Junho de 2007
 


Nasceu na Usina Colônia situada na cidade de  Jaboatão no dia 09 de agosto de 1909. Filha de Vicente de Aquino Neves e Isaura Neves.  Em 1915 seu pai inaugurou a luz elétrica em Jaboatão, foi também o proprietário Cine Eddie-Polo que foi inaugurado em 1926.

Começou a estudar os 7 anos, tendo como primeira professora a saudosista Henriqueta de Oliveira, vindo a concluir seus estudos aos 12 anos com a professora Filomena Campelo.

Seus estudos de piano tiveram início aos 9 anos de idade. Como na época os cinemas eram mudos e, durante a exibição das películas, uma pianista tocava músicas que variavam de acordo com  as cenas que se desenrolavam.Nina de Oliveira foi uma das mais famosas pianistas do município de Jaboatão. Havia também o acompanhamento de uma orquestra composta de 08 elementos como o senhor Nozinho, irmão do Padre Chromácio Leão, o pai do maestro Luiz Caetano.

No dia 29 de novembro de 1930, casou-se com o Sr. Adolfo Manoel de Oliveira Júnior. Desta união tiveram 14 filhos, tendo vivido apenas 09 filhos. Destes nasceram 26 netos e 01 bisneto.

Passou 27 anos sem tocar por motivo de doença, voltando às atividades em 1957.  Em 1959 Nina de Oliveira e Benedito Cunha Melo fizeram uma música para a campanha do candidato a prefeito Vicente Alberto Carício, intitulada “Terra Natal” que pela lei 1.283 de 30 de dezembro de 1963, foi oficializada como o Hino de Jaboatão.

Nina de Oliveira e Benedito Cunha Melo continuaram compondo e fizeram a música em homenagem ao Padre Chromácio Leão intitulada “Alma de Artista” gravada pela Industria Fonográfica Mocambo, dos irmãos Rosemblite. Na voz da cantora Maria Parísio, na outra face do disco uma valsa intitulada “Gratidão” em homenagem ao seu médico Dr. Haroldo Magalhães. Entre outras músicas dos mesmos compositores temos um bolero “Tenho um amor” gravado por Mary Ribeiro em 1964  e “Papai Noel” gravado por Jurandir Menezes e os Grilos dos Guararapes do Colégio Salesiano.

Ficando viúva em 1975, passou vários anos sem compor, voltando a compor, com muito sucesso, em 1981 participando do concurso Capital do Frevo realizado pela Rede Bandeirante.

Entre 400 músicas teve a sua classificada entre as 30 finalistas, um frevo canção intitulado “Solidão”, música de Nina de Oliveira e letra de NelsonFerreira. Com a ajuda de Adolfo da Modinha e Mario Santos gravou pela Rosemblite o frevo canção “Saudosista”, com arranjo do Maestro Cloves Pereira.

Em fevereiro de 1982 foi homenageada pelo Presidente da Câmara dos Vereadores da Vitória de Santo Antão o Sr. Humberto, também Presidente do Clube Abanadores da Vitória. Atualmente com 72 anos de idade já tocou com 4 gerações e vive em plena atividade profissional.

Vindo a falecer em 14 de janeiro de 1991.

   
  Jaboatão Terra de Grandes Espetáculos
Adiuza Belo
Junho de 2007
 


Com certeza estamos falando de uma terra essencialmente musical. A história registra em tempos que já vai longe a presença do Padre João Lima como o primeiro músico, cantor, compositor, orador e religioso a aparecer como filho de Muribeca e a orgulhar Pernambuco, nos idos de 1600.

Nossa terra tornou-se a partir daí celeiro de grandes artistas e de excelentes espetáculos.

Antes de tudo podia-se assistir em Jaboatão, a cada dia, a descoberta de valores que deixariam seus nomes escritos nas pagina de um tempo de glória. Os saraus nas casas das famílias ilustres não dispensavam a presença de pianos como adornos em suas salas de visitas. As retretas por muito tempo abrilhantavam as praças da cidade. Nas procissões os dobrados em sua maioria tinham como autores os músicos locais. A vida social servia de referencia a nossa terra e aos seus artistas. O trem garantia o retorno do público aos seus lares até as 22 horas. As bandas musicais surgiam de cada canto e em cada tempo.

No ano de 1824 surge a Banda da Guarda Nacional.

Em 1891 a Banda 15 de janeiro, conhecida como Philarmônica.

Pouco depois é a vez da Banda Mesquita Pimentel e em seguida, a Banda do Tiro de Guerra 187.

Em 1914 com a chegada do Padre Chromácio surge a Banda Paroquial, a Escola Sinfônica e a Orpheon Paroquial.

No ano de 1929 aparece a Banda Ferroviária com a sua Sociedade Musical Operária.

Chega 1930, e com ele a Banda do Patronato Agrícola Barão de Lucena, no bairro de Socorro. Destacamos ainda, neste local, a Banda do 14º RI.

Em 1950 aparece a Euterpe Recreativa 21 de Fevereiro, do Doutor Joaquim Martins de Albuquerque, meio proprietário da Usina Jaboatão, sendo o primeiro mestre da banda o maestro Caetano Xavier da Silva (Nozinho), tendo sido mais tarde substituído pelo seu filho, maestro Luiz Caetano da Silva, nosso associado.

A Fábrica de Papel de Jaboatão também possuiu a sua banda.

No ano de 1980 aparece a banda Padre Chromácio, conhecida também como Banda Municipal.

Havia em Jaboatão coretos a gasebos, palanques e teatros sempre com bom público a aplaudir os nossos valores.

Jaboatão guarda em sua história nomes de grande peso no cenário artístico pernambucano.

Hoje a Banda Força Jovem do maestro Alexandre luta para se manter e necessita de apoio, assim como as bandas escolares precisam de estímulo para que o passado de grandes músicos seja sempre vivo na memória do povo jaboatanese.

   
  O Rio Jaboatão
Adiuza Belo
Junho de 2007
 


 
Nasce no Engenho Arandú de Cima nas proximidades de Pacas, na cidade de Vitória de Santo Antão.

A bacia hidrográfica do Jaboatão possui sete rios e mais de vinte riachos.

São considerados afluentes do rio Jaboatão o rio Macujé, que nasce na mata do Tundá, no sopé do morro da Macambira. O rio São salvador, que nasce no local conhecido como Tobé. Rio Caongo que nasce nas matas dos Perdidos no Cabo de Santo Agostinho e logo junta-se ao rio Pirapama. Rio Morto, nasce no sopé de Monte do Oitizeiro e se junta ao rio Jaboatão nas proximidades da nascente. Rio Pixaó que é tributário do rio Duas-Unas e que não foi estudado em seu todo. Rio Duas-Unas que é formado por duas nascentes distintas, a primeira nasce nos confins de Bonança e a segunda, nas terras do Engenho Covas de Onças. Rio Jordão nasce na Cacimba do Urubu no sopé dos Montes Guararapes, encontra-se em parte assoreado.

Entre os açudes correntes encontra-se o Bom-dia, o riacho do Açude, o Pilão, o Caraúna, o Carnijó, o Caxito, o Colônia, o Corisco, o Cumbe, o jangadinha, o Manassú, o Mussaíba,o Palmeira, o Pixaó, o Prata, o Preto, o Roncador, o Salgadinho, o São Salvador, o Tabatinga, o Tejipió- Mirim, o Várzea dos Coelhos.

Alguns açudes ainda resistem a poluição ambiental, tais como: Camaçari, Jangadinha, São Salvador, Entre-Rios, outros não passam de um simples canal como ocorre com o do Conde Pereira Carneiro.

A queda d’agua do Batoré quando recebe tratamento volta a fluir porém, vive agredida pelos agrotóxicos que são lançados nos plantios de cana-de-açúcar da Usina Bulhões.

Jaboatão já possuiu grande e concorridos banhos de rios conhecidos como: o banho do vovô, da vovó, do Vasconcelos, da Cascata, do Batoré, do Mangaré entre tantos outros.

O espetáculo maior se passa nos caminhos de Curcurana quando as águas do Jaboatão mesclam-se com as águas do Pirapama e juntas vão encontrar o oceano.

Em Curcurana está situada a Lagoa do Olho D’agua a única de restinga existente no Estado. Os mangues vermelhos, berçário de milhões de vidas completa a paisagem do rio Jaboatão ao chegar na zona estuárina emoldurando a paisagem da restinga do jaboatão ao alcançar o Atlântico em Barra de Jangada.

   
  Jaboatão como Antigamente
Adiuza Belo
Maio de 2007
 


Que bom encontrar as famílias ilustres do Jaboatão reunidas em um bonito evento, como aquele que marcou os 34 anos de existência do nosso Instituto Histórico de Jaboatão.

Aquela noite esplendorosa foi enriquecida pela presença dos Câmara Lima, dos Carichio, dos Almeida de Melo, dos Figueirôa, dos Montenegro, dos Santos, dos Oliveira, dos Peixoto, dos Gulde, dos Barbosa, dos Matos, dos Caldas, dos Sá Barreto, dos Araújo, dos Vieira, dos Albuquerque, dos Fonte, dos Borba, dos Amador, dos Vieira de Melo, dos Calado, dos Maranhão, dos Monteiro, dos Gonçalves da Rocha, dos Matias, dos Ferreira Veloso, dos Barros, dos Porto, dos Barradas, dos Magnata, dos Campelo, dos Sena, dos Pereira, dos Brandão, dos Leão, dos Menezes, dos Montarroyos, dos Cesses, dos Cahú, dos Pedrosa, dos Pontes, dos da Hora, dos Naza'rios, dos Luna, dos Neves, dos Maiyta, dos Matoso, dos Portela, dos Queiroz e tantas outras que nos escaparam da memória, neste momento de brilho e de encanto.

Naquela ocasião, parecia-nos que o tempo havia parado, que a fraternidade havia se corporificado e em cada canto daquela casa de cadeia, recuperada para sede do Instituto Histórico de Jaboatão, o povo da nossa terra completava o cenário glorioso de um tempo que ficou para trás, quando as famílias tradicionais se uniam nos saraus, nas quermesses, nas retretas, nas procissões, nas missas, nos tedeus, nos desfiles cívicos, nas festas de família para confraternizarem de uma forma carinhosa em que cada conterrâneo era um irmão.

Saudade de um tempo...

Dia de encontro festivo, em que as famílias jaboataneses cordialmente embelezaram o evento maior do nosso Instituto Histórico de Jaboatão.

E neste relicário, a saudade bateu forte em nossos corações, e deu-nos a certeza de que ainda é possível, contar com a força da família, base principal de um povo e de mãos dada, dizer que Jaboatão jamais cairá, pois os seus alicerces são feitos da mais dura rocha que nos permite acreditar nos ramos das majestosas árvores em que floriram toda nossa ancestralidade. Este evento nos sugere criar em breve o Dia das famílias jaboatanenses.